É inegável que os universos da arquitetura e das artes caminham lado a lado. A atividade humana voltada para o processo de pensar, a partir de um conceito e objetivo, toda a organização de um espaço e estrutura que será habitado pelo ser humano é, até mesmo, considerado uma expressão artística. Desta forma a 24ª CASACOR Minas, maior mostra de arquitetura e design do estado, que acontece até o dia 16 de setembro, não só enaltece a produção contemporânea do segmento, como também apresenta ao público a arquitetura e o design como manifestações artísticas. 

Partindo do tema oficial de 2018, CASA VIVA, que propõe uma moradia contemporânea onde a casa é um espaço de celebração, diversos profissionais trouxeram para dentro de seus espaços obras de arte nas mais variadas expressões e linguagens, reforçando a ideia de que uma moradia que conta com trabalhos artísticos é rica não só em sofisticação e estética, mas também na composição do astral e atmosfera do espaço.

A mostra conta, inclusive, com dois espaços destinados exclusivamente a arte. O primeiro deles é o Ateliê do Artista, com projeto arquitetônico assinado porMatheus Goulart, o próprio artista plástico que expõem nas paredes do espaço seus trabalhos de arte contemporânea, influenciados por uma estética urbana, uma vez que vive em Nova Iorque há 10 anos, e por traços do expressionismo. Durante o período da mostra, o público ainda pode conferir o artista produzindo outros trabalhos no ateliê.  Já a Sala do Colecionador, assinada pela arquiteta Norah Fernandes, aproxima o público de diferentes expressões artística e de artistas contemporâneos consagrados, incluindo obras de Nuno Ramos, Vik Muniz, cerâmicas do mineiro Máximo Soalheiro, trabalhos delicados de Rivane Neuenschwander e o grande destaque: uma peça criada a partir de cacos de porcelana que faz parte da série The Translated Vase (2002), da artista sul coreana Yee Soo.

Um ambiente que se destaca pela relação intima e familiar da arte com o espaço é oEstar, assinado pelas arquitetas Bernardete Correa e Manu Lolato, mãe e filha. O espaço é diretamente influenciado pelo trabalho de Beth Jobim, filha de Tom Jobim. As obras de Beth podem ser vistas nas molduras das paredes e na tridimensionalidade que o recurso agrega aos outros objetos que compõe a sala, se aproximando da linha construtivista da artista.

Saleta do Designer de Interiores, assinada por Leonardo Veloso, estreante na mostra, reúne vários estilos e manifestações artísticas e de design, com variações de tons e cores, diferentes texturas e estampas. O ambiente, pensado para aguçar a criatividade, imperativa na atividade do designer, combina uma moderna poltrona Platner a móveis orientais, além de uma estante com porcelanas chinesas, livros, tecidos e peças garimpadas pelo arquiteto.

Outro ambiente inteiramente interligado com a arte contemporânea é o Gabinete 71, assinado por Felipe Soares e Sarah James. Os maiores destaques do ambiente são as obras Via Láctea, de Vanderlei Lopes e Hoje em Cine, um neon de Laura Belém, ambas da Celma Albuquerque Galeria de Arte.

Na área externa do casarão histórico, estão duas esculturas de Amilcar de Castro. Uma delas integra o Lounge + Piscina, assinado pelos arquitetos Eduardo Henrique Brandão, Júnica Bernanos e Rosângela Brandão Mesquita, da Situar Projetos, enquanto outra recebe os visitantes logo na varanda da bilheteria, projetada por Alexandre Rousset e Ana Vaz, que conta no seu interior com uma instalação em trama de seda, preenchida com carvão, remetendo ao combustível utilizado pelas composições férreas. A proposta da artista foi resgatar a memória do casarão, que funcionou a sede da extinta Rede Ferroviária Federal.

A Sala e Varanda do Por do Sol, da arquiteta Eduarda Correa, é recheada de trabalhos do consagrado artista Abraham Palatinik, brasileiro, pioneiro na arte cinética.

O teatro também marca presença na 24ª CASACOR Minas no ambiente Um Trem Chamado Desejo, que com projeto do arquiteto Rodrigo Câmara, ocupa o restaurado vagão de trem histórico localizado no jardim da mostra. O espaço é uma homenagem ao Grupo Galpão, fazendo referência a comédia musical homônima autoral produzida pela companhia de teatro, uma das mais importantes de Belo Horizonte e consagrada internacionalmente. O espaço convida o público a entrar em contato com peças e objetos que acompanharam o grupo durante seus anos de atuação no teatro mineiro, como adornos, antiguidades, luminárias, carpetes, figurinos e manequins dos anos 1930.

A PARTICIPAÇÃO DAS GALERIAS DE ARTE

A mostra ainda apresenta obras que integram o acervo importantes galerias de arte de Belo Horizonte. A seleção de obras que podem ser conferidas nesta edição da CASACOR Minas foram cedidas pelas galerias Celma Albuquerque, Dotart Galeria de Arte e Galeria Murilo Castro.

A 24a edição da CASACOR Minas acontece até o próximo domingo, 16 de setembro, no casarão histórico onde funcionou a sede da extinta Rede Ferroviária Federal S/A – RFFSA, localizado na rua Sapucaí, 383, no bairro Floresta.

Redes

SITE: www.casacor.com

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INSTAGRAM: @casacorminas

CASACOR Minas Gerais

Quando: até 16 de setembro de 2018

Endereço: Rua Sapucaí, 383– Floresta- Belo Horizonte

Horário de funcionamento: de terça à sexta de 15h às 22h/ Sábados, de 13h às 22h e aos domingos e feriados de 13h às 19h.

Informações: www.casacor.abril.com.br