A Gestora Ambiental da Toctao Engenharia, Cinthia Martins, é uma das palestrantes do seminário “Construção + Limpa”, promovido pelo Crea-GO no próximo dia 12 de junho. Objetivo do evento é conhecer experiências que contribuam para a criação de um conjunto de procedimentos que deixem as construções em Goiás cada vez mais limpas e menos impactantes ao  meio ambiente

Colher subsídios técnicos e conhecer experiências práticas que contribuam para a criação de um conjunto de procedimentos que deixem as obras em Goiás cada vez mais limpas e menos impactantes ao  meio ambiente. Esse é o objetivo principal do Seminário “Construção + Limpa” que será realizado no próximo dia 12 de junho pelo Conselho Regional de Engenharia e Agrimensura de Goiás (Crea-GO). O evento, que começa às 14h, irá reunir vários especialistas e profissionais que trabalham diretamente com a gestão de resíduos da construção civil no Estado.

Entre os palestrantes, estará a tecnóloga em saneamento ambiental e gestora ambiental da Toctao Engenharia, Cinthia Martins, que irá falar sobre “A Gestão dos Resíduos Sólidos no Próprio Canteiro”. “A ideia é abordar durante esse seminário todo o processo de gestão de resíduos sólidos e as práticas que podem ser adotadas para reduzir ao máximo a geração desses resíduos, sejam eles sólidos ou líquidos. Nesse sentido devemos apresentar experiências que deram muito certo nas obras da Toctao e que possibilitam a redução da geração dos resíduos, promovem o reaproveitamento destes nas obr4as e levam a uma taxa de destinação dos resíduos para reciclagem de quase 100%. Além disso vamos apresentar medidas tomadas para tratamento adequado dos resíduos líquidos, como a MiniETE, que é uma  Mini Estação de Tratamento de Efluentes portátil e que é uma tecnologia desenvolvida pela própria empresa e que representou uma solução para o tratamento da água residual gerada pelas obras”, afirma Cinthia.

A Toctao Engenharia já figura entre as indústrias em Goiás que estão preparadas para promover a reciclagem dos mais diversos  resíduos da construção civil que até pouco tempo não eram reaproveitados no Estado. Graças à pesquisas, tecnologia, fortes parcerias e uma boa dose de empreendedorismo, a empresa tem conseguido contribuir para transformar restos de concreto, argamassa e até de gesso novos  insumos.

A medida que pode contribuir para diminuir o volume desses materiais nos aterros sanitários.  É que, embora a Resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) já determine desde 2002 que os resíduos da construção civil tenham destinação diferente, os entulhos gerados por atividades construtivas ainda representam até 70% da massa dos resíduos sólidos urbanos em Goiânia, segundo dados da prefeitura. Nacionalmente, conforme a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (ABRECON), 66% dos resíduos sólidos urbanos partem de atividades construtivas.

A Toctao Engenharia é uma as empresas que atingiram o marco de destinar quase a totalidade de seus  resíduos de suas obras para a reciclagem – para o aterro sanitário, vão somente os resíduos orgânicos. Fora os plásticos, papéis e aço, que já são reciclados há mais tempo, a gestora ambiental da Toctao Engenharia Cinthia Martins, informa que os restos de concreto, tijolo e restos de argamassa estão sendo destinados para recicladoras que transformam os resíduos em areia e brita.  Já o gesso, que até pouco tempo atrás não tinha destinação em Goiás, hoje se transformou em matéria prima para uma indústria de adubo.

“Eram resíduos que, mesmo sendo separados dentro da obra, acabavam no aterro sanitário até alguns anos atrás porque não havia outra alternativa”, explica a gestora ambiental que também é mestre em meio ambiente pela Universidade Federal de Goiás.  O gesso, ela explica, é prejudicial para os aterros sanitários porque sua composição prejudicam as bactérias responsáveis pela decomposição do lixo. Já os restos de concreto ocupam muito volume nos aterros sanitários, reduzindo assim sua vida útil. “Nós já temos uma dificuldade grande de definir áreas para aterros, que tem muitas restrições para ser instalado”, acrescenta.

Ela lembra que, além de contar com a reciclagem, a empresa também alterou vários processos para diminuir a geração de resíduos,  uma vez que desde 2010 suas atividades são preconizadas por seu Sistema de Gestão Ambiental, baseada na certificação ISO 14001. “Nós tivemos de estudar e desenvolver muitas soluções para melhorar o desempenho ambiental da empresa e proteger o meio ambiente, objetivo da certificação.”, conta.

Uma medida foi a mudança do processo que fornecimento e aplicação da argamassa. “Passamos a utilizar um sistema que entrega a argamassa a granel e tem aplicação mecanizada para evitar a geração de resíduos, destacando as embalagens dessa argamassa, cuja destinação ainda é complicada”, observa. Mas a empresa investiu também em medidas mais robustas como o desenvolvimento de uma Mini Estação de Tratamento de Efluentes (MiniETE) portátil, que com capacidade de tratar 3 mil litros de água por dia em suas obras.

Resíduos líquidos

O equipamento com tecnologia desenvolvida pela própria empresa com o apoio do Senai, trata a água usada dentro da obras, inclusive a dos chuveiros. Após o tratamento, a água pode ser reutilizada para várias atividades dentro do canteiro como a cura de concreto, preparação de argamassa e limpeza de áreas e equipamentos, na descarga dos sanitários, entre outras atividades.  “Deixamos de usar água potável, que tem um alto custo de tratamento, para utilizar água de reuso, o que é bem mais ecológico”, pontua Cinthia Martins.

A MiniETE foi desenvolvida pela Toctao Engenharia durante dois anos, entre 2014 e 2016, dentro de um projeto de inovação realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Ela foi feito em design compacto e portátil, com rodas, para ser transportada por obras diferentes e também dentro de uma mesma obra conforme a necessidade.

Pelo projeto a Toctao Engenharia também recebeu o prêmio CREA-GO de Meio Ambiente, o prêmio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) de Inovação e Sustentabilidade e o Prêmio Nacional de Inovação, oferecido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).